Resenha: O planeta dos homens sem cor (sem spoiler)





Título: O Planeta dos homens sem cor
Autora: Margarida Ottoni
Editora: Editora de Orientação Cultural
Páginas: 85
Ano: 1995/ 7ª edição.


Sinopse
Uma garota conhece um extraterreste que tem uma propriedade diferente da pele: ela muda conforme o ambiente. Um livro cheio de aventuras, fazendo pensar sobre a existência ou não de ETs!






        Somos surpreendidos a todo instante e mesmo com o velho ditado popular “não julgue um livro pela capa”, constantemente caímos nessa armadilha do destino.
        Dando ênfase ao parágrafo anterior, foi justamente o que aconteceu. Infelizmente ou felizmente somos atraídos pelo estético e com os livros não é diferente. Quando nos deparamos com um bom design o impulso de ler e adquirir o exemplar é imediato, e quando o volume não nos proporciona essa reação temos por costume deixa-lo de lado.
        Confesso que só li essa obra porque a mesma é bem fininha e estou com problemas de coluna de tanto carregar peso. Sendo assim, fui à estante do meu falecido sogro, puxei o livro e carreguei dentro da mochila. Como todo ledor qualquer lugar é motivo para ler, principalmente para evitar conversas alheias que não vão acrescentar nada. Já na primeira folha a surpresa é encantadora, doce e cativa. Ser sucumbido pela escrita da autora é apenas uma das particularidades contidas nessa estória.
        Nossa protagonista é Neide que narra esse tomo de ficção cientifica. Dessa maneira, não é questionável se a mesma está imaginando tudo ou se essa experiência fora do planeta terra é real. Logo, conhecemos Tálbor que é um pescador espacial e um cidadão do planeta Vigor, cujo seus irmãos são Telga e Tínger.
        Nesse enredo percebi criticas sutis da autora a nossa sociedade e o que mais fascina é que de forma alguma ela impõe tais opiniões. A fluência de sua narrativa é leve e jamais encontrei um livro tão antigo com uma linguagem tão fácil. Suas propriedades encontram-se nas minucias, e apenas o leitor com uma boa interpretação consegue compreender. Por exemplo, os alienígenas não possuem uma cor definida na pele, tanto que o título remete a esse aspecto, ou seja, sua epiderme reflete a cor do ambiente. Caso esse esteja no luar automaticamente sua pele irá ficar prateada, se o sol espelhar em seu corpo irá ficar dourado e isso evita que aja qualquer preconceito referente à cor ou mesmo a etnia. Talvez isso seja ocasionado pela falta de melanina, todavia não é esclarecido isso na trama.
        Outra análise está na especulação se o homem conseguiria viver pela razão e abandonar os seus vícios. Dependência essa que é prejudicial ao meio ambiente. Então, a humanidade é capaz de viver em paz com outras civilizações? Sua arrogância e falta de empatia não seria um empecilho? Por fim, a teia discretamente gira nesses pormenores. A reflexão é plausível e assola todo o contexto construído, a simplicidade e curiosidade são naturais e simples.
        Por fim tem o romance entre Neide e Tálbor, algo subliminar. Não temos certeza se eles realmente vão ficar juntos, pois não há caricias físicas como o beijo, mas subtende-se que o amor esta acontecendo. Essa parte incomodou um pouco, já que todo bom romântico imagina os protagonistas demonstrando afeição, o que não ocorre.
        Indico esse livro, a malha é permeada de ação, o calor das palavras é tão acolhedor que é impossível não ser envolvido do começo ao fim. A escritora, que não conhecia, tem um talento inigualável e com toda certeza sua obra singela é promissora, com uma qualidade surpreendente.

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7 comentários:

  1. Olá
    Não conhecia a obra, nunca fui de ler nada sobre Ets mas me rendi a eles recentemente. Realmente essa capa é bem feinha mesmo, infelizmente o capa é o cartão postal do livro, e as vezes vamos nessa onda mesmo.
    Mas que bom que fugindo as regras você escolheu esse e pode nos apresentar essa bela obra.
    Beijuh

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  2. Olá! Realmente constantemente caímos nessa armadilha de jugar o livro pela capa. Ler é mesmo uma ótima forma de evitar conversas alheias. Realmente livros antigos tem uma linguagem mais difícil, fico feliz em saber que esse tem uma linguagem fácil. Que pena que te incomodou a personagem não ter demonstrada afeição. Muitos gosta quando o autor deixa por leitor decidir e imaginar, mais eu gosto de algo, mas confirmado do subliminar. Que bom que no geral se envolveu pela história e gostou. Beijos'

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  3. Ahhh eu não caio! Nunca julguei o livro pela capa, embora depois fale mal dela rsrsr
    Costumo adquirir pela sinopse ou indicação como esta por exemplo que já vou anotar para possível leitura.
    Bjs

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  4. Eu não conhecia a obra e a sinopse não diz muita coisa. Sua resenha salvou tudo! Quero ler o livro, só pela sua opinião; se eu fosse depender da sinopse , eu n leria; a capa nem tanto, n julgo pelo capa, mas a sinopse tem um peso hahaha.
    Parabéns pela resenha, beijos

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  5. Olá!
    Ainda não conhecia esse livro e confesso que não fiquei muito interessada leitura, pois não é um livro que tenha chamado minha atenção. O fato de o romance ser subliminar é bastante interessante, pois é meio cansativo aqueles livros com tudo aberto.
    Vou passar a dica para uma amiga que vai curtir.
    Beijos

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  6. Olá Verônica, tudo bem?
    Confesso que sou dessas que compro a maioria dos meus livros pelas capas com exceção das continuações... porque fazer o quê... é o que me atrai, mas nem sempre é a estética, viu, porque já comprei livros de capas bem feias, porque por algum motivo me atraíram.... Até hoje não me decepcionei com nenhuma obra que escolhi pela capa.. de qualquer forma, a narrativa deste livro não me chamou atenção pela leitura, tentei encontrar algo que me encantasse, mas infelizmente não aconteceu. De qualquer forma valeu pela experiência que você teve. Xero!

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  7. Oi Verônica, tudo bem?

    Para ser sincera, já comecei a resenha julgando este livro pela capa e imaginando que seria uma leitura bem boba. Mas, depois de ler esta resenha, estou querendo muito esse livro, pois acho que o mesmo faz muito o meu estilo. Como é uma leitura rápida, é mais um ponto positivo, pois gosto de narrativas assim. Adorei a resenha e conhecer o livro!

    Beijos!

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